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Crianças na África sofrem por serem consideradas “bruxas”

17 AGO 2017
17 de Agosto de 2017

ONG adota crianças nesse tipo de situação

Uma série de crianças em vários países no continente Africano vivem o drama de serem consideradas “bruxas”. Os motivos geralmente envolvem crenças pouco justificáveis, o sofrimento e vulnerabilidade de quem recebe este estigma.

De acordo com relatório da Unicef de 2010, Angola, Nigéria, Camarões, República Centro-Africana, Libéria, Serra Leoa, Tanzânia, Burundi e Gabão são alguns dos países os quais existem registros sobre crianças consideradas “bruxas”.

Uma delas, uma menina de 15 anos que não pôde ser identificada, foi classificada pelo fato do pai da jovem ter morrido, depois do ataque epilético de um primo o qual não obteve explicações do médico.

“A mulher de meu tio disse que eu era responsável pela doença do garoto, pois ela nunca tinha visto algo parecido”, afirmou. Com isso, ganhou o título e sua vida tornou-se um inferno até ser expulsa de casa. A história, no entanto, se repete em outras famílias.

“Eu dizia a mim mesma que deveria evitar contato com outras crianças, para não dizerem que eu lhes fazia mal. Quando falavam que eu era bruxa, doía”, contou. Em 2013, foi resgatada por uma organização ligada ao Unicef.

Além do abandono, as crianças convivem, por vezes, com tortura para confessarem que possuem poderes sobrenaturais. De acordo com a ONG britânica Safe Child Africa, acredita-se que 80% das crianças e adolescentes acusados de bruxaria são expulsos ou fogem de casa.

Por conta de diagnósticos como epilepsia, tuberculose, autismo, Síndrome de Down e gagueira, crianças são perseguidas. Mas existem casos de menores teimosos, agressivos, preguiçosos ou “aéreos” entre os acusados. Se o parto também for incomum ou for órfã, a criança pode ser marcada para o resto da vida.

“Muitas crianças sabem da crença em bruxaria e têm esse medo [da acusação], que é passado a elas por seus pais e pelas igrejas. O medo é onipresente. O tempo, o amor e a afeição podem convencê-las do contrário, mas as cicatrizes psicológicas são difíceis de serem tratadas”, disse Gary Foxcroft, um ativista contra acusações de bruxaria.

No entanto, em 2016 uma iniciativa traz ajuda a crianças nesta situação. A vila Land of Hope, na Nigéria, foi criada por uma dinamarquesa que decidiu abandonar tudo para cuidar de menores acusados de bruxaria. Atualmente, são 46 crianças sob o seu cuidado. O trabalho é financiado por doações.

“Os melhores momentos são quando percebo a transformação. De abandonados, excluídos e medrosos, eles se tornam bons alunos, cheios de autoestima e com propósito de vida. Testemunhar isso é um milagre. Milagre que só acontece quando você dá tanta energia a seus sonhos quanto aos seus medos”, disse Anja Lovén, responsável pelo projeto.

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